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Entrevista com a cantora
JULIANA DE PAULA



Família

Eu nasci em João Pessoa, capital da Paraíba, no dia 19 de junho de 1979. Minha mãe se chama Joana D'arc e é professora de ensino fundamental. O meu pai, Ademir Martins (in memorian) era trabalhador autônomo. Minha irmã mais nova se chama Janieire, é casada e tem dois filhos: Américo Neto (de 3 anos) e Maria Júlia (de 5 meses).

Estudo e trabalho

Concluí o segundo grau em 1998, no Liceu Paraibano, uma das mais tradicionais escolas públicas do Estado. No momento não tenho um emprego, estou me dedicando apenas à minha carreira de cantora católica e aos serviços da Comunidade Salve Maria e da Paróquia de Santa Júlia, da qual faço parte. Pretendo cursar a Faculdade de Fonoaudiologia, mas quero muito que os meus estudos e trabalho sejam voltados à missão.

Casamento

O nome do meu noivo é Alexandre Santos. Estamos juntos há oito anos. Há dois anos ficamos noivos e pretendemos nos casar em breve. O nosso relacionamento é maravilhoso, pois além de noivos, somos muito amigos, cúmplices e o mais importante: nos amamos muito. Alexandre também é meu companheiro de missão. Começamos juntos a trilhar o caminho da música e hoje ele é um dos compositores que fazem parte do meu trabalho. Costumo dizer que tenho uma certa participação nas composições dele, porque as letras que ele escreve falam muito do que eu vivo.

Comunidade

Faço parte da Comunidade Católica Missionária Salve Maria há onze anos. Foi lá que comecei a dar os meus primeiros passos em direção a Deus, foi onde conheci toda a riqueza da Igreja Católica. A comunidade é o meu berço espiritual.

Nosso carisma é ser Eucaristia, ser pão partido e partilhado, alimento para a vida dos irmãos. Através de Nossa Senhora, Cristo nos ensina a contemplar a vida dele e se tornar, nas mãos de Deus, como pão, que é partido para alimentar o povo.

Assim Deus nos chama a estar à disposição dos irmãos e da Igreja, indo onde ninguém quer ir, fazendo o que ninguém quer fazer, à total disposição da Igreja e dos irmãos.

Através da Eucaristia e da contemplação dos mistérios do Santo Rosário, o Senhor nos ensina a humildade e a simplicidade da Sagrada Família e nos chama a viver em constante adoração.

Paróquia de Santa Júlia

A nossa paróquia está situada no bairro da Torre, em João Pessoa. O nosso pároco é o Mons. Virgílio Almeida. Ele também é o coordenador de pastoral e pró-vigário geral da Arquidiocese da Paraíba. Ele tem sido um pai para a comunidade e tem incentivado muito a minha carreira. Na paróquia, o Pe. Cristóvão, que também tem nos apoiado muito com suas palavras de incentivo, foi designado pelo Mons. Virgílio para acompanhar mais de perto a nossa comunidade.

Na paróquia, desenvolvo o meu ministério cantando nas missas, encontros, pastorais e em outros serviços que me sejam solicitados, além de realizar palestras em encontros para jovens de várias paróquias e dar formação para Ministério de Música.

A música

A música surgiu na minha vida de forma muito simples, logo quando comecei a caminhar na comunidade, eu tinha apenas doze anos. Durante um retiro que a comunidade estava promovendo, eu e um grupo íamos encenar uma peça sobre o episódio das Bodas de Caná. Uma pessoa do grupo perguntou se alguém sabia cantar uma música que se referisse a essa passagem do Evangelho. Eu disse que conhecia uma música, mas nunca havia cantado em público e nem sabia que tinha o dom do canto. Mesmo assim me dispus.

No final da peça, quando cantei a música, todos ficaram admirados e vieram falar comigo. Lembro que naquele dia fiquei atônita com essa novidade e com a repercussão que o meu canto gerou. Contudo, comecei a me abrir e tudo foi se encaminhando para que eu fizesse parte do ministério de música da comunidade.

Deste então, a música tem uma importância muito grande, pois sinto que ela veio do coração de Deus para mim. E assim busco sempre ser grata a Deus por esse presente. Hoje eu faço aula de canto com a professora Mônica Melo, que tem me ajudado muito a desenvolver esse dom dado pelo Senhor.

O primeiro CD

Há algum tempo, eu e Alexandre já vínhamos sentindo um desejo de gravar nossas músicas e estávamos percebendo que o tempo estava chegando.

Um certo dia, após a missa, uma senhora me procurou para conversar. Ela estava muito nervosa, pois dizia que tinha um recado de Deus para mim. Falou que na semana anterior, no momento de oração após a comunhão, ela se sentiu impulsionada por Deus para me dizer que eu devia gravar minhas músicas, mas naquele momento ela não teve coragem, com medo que eu não desse crédito às suas palavras. Dessa vez, ela sentiu mais uma vez o Senhor impulsionando-a a falar comigo e decidiu fazer isso.

Lembro que ela estava apreensiva, mas num dado momento começou a falar que eu (e a comunidade) tinha músicas guardadas e que elas precisavam sair das gavetas para que o Senhor atingisse o seu objetivo de tocar os corações através das canções que Ele inspirou. Enquanto ela falava, outra Senhora se aproximou e perguntou se eu já havia gravado um CD, pois, segundo ela, a minha voz era muito bonita.

Depois disso, a primeira senhora insistia em me dizer que o que ela estava dizendo vinha do coração de Deus. Eu agradeci e fui para casa preocupada com essas palavras e com a responsabilidade que tudo isso me trazia.

A partir daí os acontecimentos foram confirmando e as coisas foram se encaminhando. Todas as vezes que eu encontrava aquela senhora eu olhava para ela e sentia o Senhor me perguntando: “e aí, não vai tomar nenhuma atitude?”. Eu tinha mil desculpas e ia protelando até chegar ao ponto de não agüentar mais e procurar o conselho da comunidade para discernir e aprovar esse novo passo da minha vida.

O processo de gravação

Essa primeira experiência foi bastante complicada por que tanto eu quanto Alexandre, que ficamos à frente de tudo, não sabíamos nem por onde começar.

O ponto de partida foi perguntar a algumas pessoas que já haviam gravado, mas não tínhamos respostas que nos ajudassem a dar passos concretos. Foi quando decidimos fazer o nosso trabalho em Programação Midi, pois não tínhamos músicos com tempo para se dedicarem ao nosso projeto.

O primeiro estúdio em que começamos a gravar não deu certo, mas graças a Deus encontramos outro estúdio onde pudemos acompanhar todo o trabalho de criação dos arranjos e da gravação. Com isso acabamos aprendendo muito. A partir daí tudo foi dando certo.

Na época, toda a comunidade se mobilizou para conseguir o dinheiro para pagar o estúdio e a prensagem do CD, além de diversas despesas que tivemos. Hoje existe uma equipe na comunidade que me ajuda a organizar a agenda de shows e a divulgar o CD.

As composições

No CD “Bendito Seja Deus Que Está no Meio de Nós”, gravamos canções dos membros da comunidade, especialmente do Alexandre, que compôs a maioria. Eu não costumo compor. Às vezes eu tenho algumas inspirações, mas não gravo e acabo perdendo muita coisa. Mesmo assim, nesse CD há duas músicas minhas em parceria com o Alexandre.

Bendito seja Deus que está no meio de nós

O título do CD surgiu de um momento muito forte na Comunidade em que tivemos a presença de Jesus Eucarístico permanentemente na Casa São José (sede da comunidade). Daí surgiu a música que é tema do CD.

Acho que a experiência de gravar esse CD independente foi muito positiva. Tem sido uma vitória o CD ter chegado em tantos lugares, em meio a tantas limitações. Tem sido um grande aprendizado para mim e para toda a comunidade.

É sempre uma grande alegria e um grande presente de Deus quando nos chegam notícias de que as nossas músicas tem sido cantadas em várias partes do país. Lembro de uma vez em que o pessoal da Canção Nova cantou uma de nossas músicas num encontro. Foi uma alegria só. Todo o pessoal da comunidade ligando para contar a novidade. Foi muito legal.

Também lembro de um testemunho que ouvimos de um rapaz que, ouvindo a música “Milagre de Amor”, sentiu o chamado de Deus para ser catequista. Isso foi um grande sinal de Deus para nós. Eram as nossas músicas cumprindo o objetivo para o qual elas tinham sido inspiradas por Deus.

O novo CD

Sinto que neste novo trabalho preciso falar da minha experiência com Deus, daquilo que sinto, do desejo de abraçar a missão que o Senhor me chama a assumir, de ser profetiza, de anunciar o infinito e incondicional amor de Deus. Quero cantar tudo o que tenho vivido e buscado.

Obra de Arte

Esse título tem a ver com tudo o que Deus está realizando na minha vida. O Senhor tem mexido em coisas muito pessoais, tem me feito olhar para minha história, enfim, tem me tomado como barro nas suas mãos de oleiro.

Tenho visto Deus como o verdadeiro e único artista, que faz de nossas vidas uma linda obra de arte e que nos dá a graça de partilhar um pouco desse dom artístico que vem dele. Toda arte é de Deus. Muitas vezes ela tem sido usurpada, roubada, mas ela é de Deus. E o Senhor nos chama a, como diz uma das músicas do CD, “utilizar o dom da arte para amar”.

Gravar com as Paulinas-COMEP

Acho que é uma oportunidade ímpar de expandir a minha missão de cantora de Deus. É também uma experiência diferente da que tive no primeiro CD, enfim é um grande presente de Deus.

Agradeço muito às irmãs pela hospitalidade e pelo cuidado que tiveram comigo. E também a toda a equipe de técnicos, músicos, arranjadores, que foram realmente instrumentos de Deus na minha vida.
Especialmente quero agradecer à Irmã Verônica por ter apostado em mim, à Irmã Roseli (sorriso) pelo acolhimento e pela alegria, à Irmã Edith pela prontidão e pelo cuidado. Aos arranjadores (Caio de Carvalho, Alexandre Malaquias, Douglas Regis) e ao Ocimar de Paula, pelo zelo e pela atenção. Além, é claro, do Pepeu e do Ademir pelo empenho e pela tranqüilidade.


Ser uma cantora de Deus

Através do meu canto quero que as pessoas percebam o quanto Deus as ama e tenham uma experiência pessoal com esse amor que torna possível o que ao homem parece impossível. No amor de deus é possível ao homem perdoar a grande ferida, amar os inimigos. No amor de Deus é possível partir o pão. O meu canto precisa ser alimento para os irmãos.

  
  
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